segunda-feira, 10 de abril de 2017

Porcentagem de fragmentos insetos na alimentação brasileira, deveria ser revista pela saúde pública




Sim, nós comemos insetos, e daí? É sabido que cerca de 900 espécies são comestíveis e que auxiliam no quadro de desnutrição.O consumo de insetos na alimentação humana, aprovado pela Organização das Nações Unidas (ONU) é recomendado como podemos notar neste relatório publicado em 2013.A recomendação da ONU pelo consumo de insetos se dá pela grande quantidade de proteínas encontrada nestes animais. Segundo o órgão, insetos são alimentos ricos em nutrientes, de baixo custo, ecológico e “delicioso”. Dois bilhões de pessoas em culturas tradicionais já comem insetos, mas o potencial de consumo é muito maior, considera a agência. Seu consumo, chamado de entomofagia, já é difundido entre culturas tradicionais em regiões da África, Ásia e América Latina.A agência da ONU enumera os benefícios da produção de insetos em larga escala: são necessários 2 kg de ração para produzir 1 kg de insetos, enquanto o gado requer 8 kg de alimento para produzir 1 kg de carne.

 Porém, queremos aguçar sua reflexão para o outro lado da história, não falaremos dos insetos que são criados para esse fim, ou aqueles que são retirados do seu ambiente natural, higienizados e inseridos em preparações, comidos fritos, ou crus em certas culturas e sim, sobre o processo industrial, manipulação, estocagem e outros processos que podem deixar desejar no quesito- boas práticas de fabricação. E essa falha que pode acarretar o contato de algumas espécies com esses alimentos, espalhando patógenos e aí o resultado pode ser outro.A pesquisa de sujidades leves presentes nos alimentos é de fundamental importância para manutenção da qualidade física,sanitária e nutricional do produto. Dentre as sujidades leves existem aquelas que são evitáveis durante o processamento do alimento através das Boas Práticas de Fabricação e do Plano APPCC em vigor na indústria. Quem coordena tudo isso?  No Brasil temos a Agência de Vigilância Sanitária(ANVISA) que trabalha com o LIMITE DE TOLERÂNCIA para matérias estranhas( exemplo: fragmentos de insetos – baratas, formigas, moscas entre outros) exceto ácaros.Analisar os riscos de contaminantes em uma empresa de alimentos, restaurante ou fabricação artesanal é o passo inicial para o negócio dar certo. Seja micro ou grande empresa. O nível de perigo pode até variar de empresa para outra, o que não mudará muito é nossa ‘pequena vilã’ Salmonella( bactéria presente em mamíferos, aves e répteis) Por exemplo, se você tem uma produção de hortaliças/legumes estará livre da Salmonella?

BIOLÓGICOS

Bactérias Gram-negativas(condição de higiene a desejar, contaminação cruzada, estocagem…)Patógenos emergentes,Vírus( vírus estão presentes no homem, em animais, em fezes, águas poluídas e peixes frescos)Parasitas e protozoários( exemplo:larvas de parasitas como as de Taenia solium (suínos), Taenia saginata (bovinos), Trichinella spiralis (suínos), acreditem, ainda são importantes perigos em alimentos. Toxoplasma gondii, Giardia intestinallis (lamblia), Cyclospora cayetanensis e Cryptosporidium parvum produzem larvas em cistos que contaminam alimentos. Os animais de estimação, carnes, hortaliças, frutas e leites contaminados são fontes desses protozoários que chegam aos alimentos humanos. Por exemplo, o consumo da carne de porco é proibido entre os muçulmanos, os judeus e os adventistas do sétimo dia. Entretanto, muitas pessoas não consomem carne de porco, em função da associação com sujeira e outras questões . Bom, tudo isso é facilmente resolvido, com o cozimento adequado da carne.

QUÍMICOS

Resíduos de material de limpeza, Resíduos de pesticidas, Alergênicos, metais pesados, Resíduos veterinários e aditivos químicos.

FÍSICOS

Perigos físicos, pasmem, já analisei amostra de café solúvel com caquinhos de vidro.Vidros e seus fragmentos,Fragmentos de Metais,Pedras, Madeira e fragmentos e Materiais Plásticos compõem o quadro de perigos físicos.


Ah! É só uma formiguinha….

Se uma barata morta deixada no chão da cozinha desaparece de um dia para outro, ela provavelmente foi levada por formigas. Isso mostra que formigas são insetos muito perigosos.Em busca de alimento, as formigas entram em contato com muita sujeira. Fezes, feridas, escarro e animais mortos são alguns exemplos. Ou seja, elas andam por lugares ainda mais sujos do que as baratas. E carregam em suas patas os mais diferentes tipos de micro-organismos nocivos, principalmente bactérias, fungos e vírus.Por isso, formigas são consideradas um vetor de quase todas as doenças infecciosas.Segundo, Dr. Roberto Martins Figueiredo,consumir alimentos que tiveram contato com formigas é muito arriscado. Além de intoxicações alimentares, vômito e diarreia, esse hábito pode causar doenças como tuberculose (por se alimentar de escarro) e até lepra (por andar em ferimentos de outros animais)muitas espécies de formigas se reproduzem durante o ano todo, mas outras se reproduzem mais na primavera. No calor as infestações de formigas são sempre maiores. Por isso muita gente tem a impressão de que suas casas são invadidas por formigas nessa época do ano.Se a infestação for séria, é necessário entrar em contato com um especialista em desinsetização. Em casos menos graves, medidas simples ajudam a prevenir o problema.


Manter higiene em dia e tapar buracos das paredes são um bom começo.

A presença desses materiais em alimentos, embora não constitua risco direto à saúde do consumidor (reservadas as exceções) pode ser repugnante. Há que se ter um programa efetivo de prevenção.As unidades de processamento de alimentos têm delineadas ou preestabelecidas etapas de limpeza das matérias-primas para removerem fragmentos de materiais originados dos campos de colheita como pedra, areia, sujidades, pequenos animais, dentre outros materiais estranhos. As unidades de secagem e de desidratação de alimentos têm essa sequência de etapas na maioria das vezes bem organizada e realizam triagem para remoção de materiais estranhos. É possível ter sistemas de produção de alimentos e bebidas em que fragmentos de madeira, de pedra e restos em geral são tão raros que não mais representam riscos sérios por que medidas preventivas adequadas estão sendo de fato praticadas. Operações unitárias implementadas nas etapas de colheita, transporte, armazenamento e seleção de matérias-primas praticamente eliminam os riscos da presença desses materiais estranhos.   Universidade Federal de Viçosa   

Para entendermos um pouco melhor, faço questão de compartilhar um resumo de uma pesquisa do setor que trabalhei. Realizávamos análises de todo tipo de alimento, cafés e bebidas referente fraude e sujidade. O exemplo de hoje, são os temperos.

E o objetivo do estudo foi justamente a verificação das condições higiênico sanitárias de amostras de pimenta do reino e cominho em pó, que são comercializados em São Paulo.Foram analisadas 69 amostras de pimenta do reino em pó e 47 amostras de cominho em pó de 22 e 14 marcas respectivamente, com lote e prazo de validades distintos, adquiridas no comércio de São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto, Santo André, São José  do Rio Preto e Sorocaba no período de abril de 1999 a maio de 2000. As amostras dos condimentos sem estudo foram analisadas no laboratório de Microscopia Alimentar do IAL Central e Regional.Foram utilizados os métodos de flutuação descritos pela Association of Official Analytical Chemists(AOAC) Internacional, 16edição; 1995, as amostras foram realizadas em duplicatas e os resultados expressos como a média aritmética. De acordo com os resultados obtidos observou-se que das 47 amostras de cominho analisadas, 44 continham fragmentos de insetos, 3 continham ácaros e 11 pêlos de roedor, sendo que, numa mesma amostra foram observados 27 ácaros, 4 pêlos de roedor e 196 fragmentos de insetos. Das 69 amostras de pimenta do reino analisadas, 68 continham fragmentos de insetos, 17 ácaros, 16 pêlos de roedor, além de outras sujidades. De acordo com a Resolução RDC 175 de 8  julho de 2003, 11(23,4%) amostras de cominho e 16(23,2%) amostras de pimenta do reino foram consideradas impróprias para consumo por conter pêlos de roedor, evidenciando o contato do alimento com ROEDORES que são nocivos a saúde humana.A presença de sujidades leves, tais como, fragmentos de insetos, ácaros e pêlos de roedor, segundo AOAC, ocorrem devido às condições e práticas inadequadas durante FASE de PRODUÇÃO, ARMAZENAMENTO E DISTRIBUIÇÃO. A sua presença nos alimentos é atribuível a um ato humano, indicando falta de BPF(Noções de Boa Prática de Fabricação) do estabelecimento e produtor. IAL – SP Instituto Adolfo Lutz – Avenida Dr Arnaldo, 355 BQ,  Márcia Bittar Atui, Rejane, S.Graciano & Márcia N.Dimov.

Infelizmente, não tivemos muita evolução em relação aos alimentos neste quesito. A Segurança de Alimentos é uma preocupação mundial, não apenas relacionada à Saúde Pública do mercado interno, mas também com relação à competitividade do Brasil no mercado externo. Segurança de Alimentos é o termo usado para se referir à prática de medidas que permitam o controle da entrada de qualquer agente que promova risco à saúde ou integridade física do consumidor.Temos que pesquisar, ficar em dúvida e correr atrás do que nos faça bem, pois ainda é nosso consumo que coloca dinheiro nas mãos dos produtores, empresas e  comércio.

O ESSENCIAL  para quem trabalha com  alimentos é ter em mente :Educação Sanitária, treinamento dos manipuladores, Boas Práticas de Fabricação, Qualidade nos Procedimentos Operacionais e Rigoroso Padrão de Higienização!

Pesquisa de Sujidades em Temperos

Avaliação das Condições Higiênicos Sanitárias de Pimenta do reino e Cominho em Pó, comercializados no Estado de São Paulo

Insects for Food and Feed - FAO
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