segunda-feira, 10 de abril de 2017

O lado amargo do mel



Definição da legislação brasileira (BRASIL, 2000), mel é “o produto alimentício produzido pelas abelhas a partir do néctar das flores e de secreções procedentes de partes vivas de certas plantas, ou de secreções de insetos sugadores de plantas que vivem sobre algumas espécies vegetais que as abelhas recolhem, transformam, combinam com substâncias específicas próprias, armazenam e deixam maturar nos favos da colmeia”. O mel é produzido pelas abelhas a partir do Néctar recolhido das flores. As abelhas armazenam temporariamente o néctar recolhido em seu aparelho digestivo, mais especificamente na vesícula nectarífera, onde sofre a ação de várias enzimas que irão decompor o açúcar do néctar em dois açúcares mais simples, a frutose e a glicose, além disso, durante o tempo que o mel fica na vesícula nectarífera, o que geralmente corresponde ao tempo de transporte das flores até a colmeia,  diversas enzimas são acrescentadas ao néctar, tais como a invertase, diastase, glicose oxidase, catalase e fosfatase. O néctar então acrescido dessas enzimas é regurgitado pelas abelhas nos alvéolos dos favos no interior da colmeia, onde perde grande parte da sua água, transformando-se em mel e ficando assim armazenado com o objetivo de servir de alimento para elas.

LEGISLAÇÃO, MANUTENÇÃO DA QUALIDADE

O apicultor consciente deve ter em mente que o mel é um produto que deve ser considerado como alimento e não apenas como um “medicamento”, embora existam várias citações em livros apontando para muitos princípios medicamentosos. Desta forma, como alimento de origem animal que é o mel possui como órgão fiscalizador, principalmente, o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento(MAPA) que exige várias análises de parâmetros que indicam a qualidade do mel. Esses procedimentos e exigências são descritos em Leis, Instruções Normativas e outros. Assim, o apicultor deve entender alguns princípios básicos de manutenção da qualidade do mel desde o campo até o mercado consumidor, para que o mesmo se mantenha dentro dos limites exigidos para cada parâmetro, pois ele é peça fundamental nesta cadeia, uma vez que a abelha, quando dada todas as condições ideais de manejo, entrega ao apicultor um mel com o máximo de qualidade.

O mel é riquíssimo em elementos nutritivos. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, ele tem mais de 70 substâncias essenciais ao organismo. Contém água, frutose, sacarose, glicose (carboidratos), potássio, ferro, sódio, enxofre, cobre, fósforo, zinco, selênio, cloro, cálcio, magnésio, vitaminas do complexo B, vitaminas A, E, C e alguns tipos de aminoácidos (proteínas).Além de ser um excelente adoçante natural, o mel pode ajudar a tratar de doenças como gripe, asma, amidalite, bronquite, problemas de circulação e dos músculos. A substância produzida pelas abelhinhas é ainda um dos melhores e mais eficientes remédios contra os efeitos da gripe e resfriados e prepara o corpo para se defender de infecções. O mel também fortalece o sistema nervoso, ajuda a desintoxicar, facilita a digestão, é um excelente antisséptico e antibiótico.E a lista não para por aí. Como efeitos do mel, podemos citar ainda que ele protege de infartos e reduz o colesterol, previne a anemia, acalma e combate a insônia, cura feridas e queimaduras.

Fraude e Sujidades

Neste outro texto abordo um pouco mais sobre fraudes/sujidades.  como o assunto é MEL, resolvi complementar com o resumo de uma análise realizada no  Instituto Adolfo Lutz SP(onde trabalhei) sobre o Mel Comercializado em São Paulo: A fim de verificar as condições higiênicas e a genuinidade do mel consumido em São Paulo, Capital, foram analisadas 173 amostras de méis enviadas ao Instituto Adolfo Lutz por consumidores ou pela Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo, SP. Foram condenadas 12 amostras (6,8//) como fraudadas, porque, tanto as determinações físico-químicas, como as microscópicas, demonstraram que os produtos eram constituídos por xarope de açúcar; 122 (70,5//) condenadas pela análise microscópica, por estarem em condições higiênicas insatisfatórias, contendo fragmentos de insetos mortos, fungos, nematóides, ácaros ou por conter elementos histológicos de cana-de-açúcar ou de vegetais não caracterizados; 58 (33,5//), condenadas pela análise físico-química, por estarem fora dos padrões das Normas Higiênicas Sanitárias e Tecnológicas para mel, aprovadas pela Secretaria de Inspeção de Produtos de Origem Animal.Cano, Cristiane B; Zamboni, Claydes de Quadro; Alves, Helena Ide; Spiteri, Nazareth; Atui, Márcia Bittar; Santos, Marlene Correia dos; Jorge, Luzia Ilza Ferreira; Pereira, Ulysses; Rodrigues, Regina Maria M.


Para verificação da autenticidade, atente-se ao rótulo, veja se os ingredientes possuem ou não aditivos e principalmente o selo do Serviço de Inspeção Federal – SIF. Por meio da coloração não é possível identificar a falsificação, já que cada tipo de florada resulta em um mel diferente. No entanto, outras propriedades podem indicar o mel falso. Mel verdadeiro é opaco, o mel falsificado geralmente é translúcido;o mel verdadeiro cristaliza-se se transformando numa pasta macia uniforme e com inúmeros e pequeninos grânulos. O mel falsificado endurece, formando uma pedra de açúcar desigual com grandes espaços manchados de branco aspectos arenosos e odores enjoativos. Mel verdadeiro cristaliza sim. 

A cristalização é um processo natural do mel que ocorre em baixas temperaturas ou de 30 a 90 dias após a retirada da colmeia. Para obter mel em estado líquido novamente, basta aquecê-lo em banho-maria sem que a temperatura ultrapasse os 45° C, para que o produto não perca suas propriedades naturais.Por que o mel nunca estraga? Dois motivos fundamentais para que o mel nunca estrague: pouca água e muito açúcar. Como essa é a única fonte de energia das abelhas, elas precisam que o alimento seja bem resistente e dure até que as flores fiquem cheias de néctar novamente. Por isso, esses insetos tiram o máximo de água do mel e a baixa umidade ajuda a conservar o produto. Sendo assim, leveduras, micro organismos responsáveis por estragarem os produtos, não sobrevivem em ambientes com elevada concentração de açúcar – e 90% do mel é composto por açúcares. Ah! e o pH do mel está entre 3 e 4,5 condição o que também impedirá qualquer tipo de organismo, faça do mel seu doce lar. 

Falsificar e vender mel falsificado é crime contra a economia popular previsto pela Lei nº 1.521, de 26 de dezembro de 1951. A pena vai de seis meses a dois anos de detenção, além de multa, mesma punição para quem falsifica o selo do SIF, de acordo com o artigo 296, parágrafo 1º, inciso 1, do Código Penal, que trata da falsificação de selo ou sinal público.Além dos prejuízos causados a produtores e comerciantes que vendem mel autêntico, a fraude traz riscos à saúde do consumidor que compra melado em lugar de mel. As imitações costumam conter aditivos nocivos à saúde: anilina, iodo, água de rosas, baunilha, além de sacarose ou glicose industrial, acidulantes, essências químicas artificiais, corantes e estabilizantes.Mais uma vez, nossa escolha é importante e torna-se indispensável a leitura dos rótulos, verificar selos de análises, validade, aspecto do produto, embalagem sem avarias entre outros.Agindo dessa forma, teremos um dinheiro gasto com sabedoria e saúde.



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