segunda-feira, 24 de abril de 2017

Salmão é um ser quase mitológico


Imagem Divulgação

O salmão e a truta pertencem à família Salmonidae. O Salmão é um peixe mitológico, venerado por povos do mundo inteiro pelos benefícios que oferecem à saúde. O antigo povo ainu do Japão acreditava que o salmão era um presente dos deuses, e reconheciam sua força e perseverança como qualidades que seria adquiridas por quem o consumisse.É um dos peixes mais determinados e persistentes quando se trata de procriar, lendário pela odisseia que enfrenta para desova. Os ovos do salmão são desovados e chocados na água doce. Quando adultos, eles voltam para água salgada. Depois de quatro ou cinco anos, nadando contra corrente marítimas em direção ao lago,retornam para casa. Este é o salmão selvagem. Já o que consumimos é o de cativeiro, criado em tanques e que possuem em sua composição aditivos. Nosso salmão é alimentado com uma ração contendo astaxantina ou cantaxantina (um pigmento semelhante), de modo a desenvolver a coloração desejada. Esses aditivos utilizados podem ser tanto de fonte natural (extraídos de algas) ou sintéticos. A astaxantina é um carotenóide com alto poder antioxidante, em larga escala é mais comum o uso desse aditivo sintético proveniente de derivados de petróleo. Qual risco para nossa saúde? Os salmões criados em cativeiro contêm aditivos, em alguns casos podem ser utilizados antibióticos para controle de infecções por parasitas sofrida por peixes criados nessas condições de confinamento. Segundo, Organização Mundial da Saúde essa quantidade de ‘tratamento químico’ no peixe, pode aumentar nossa propensão para algumas doenças.Por exemplo, se consumirmos de quatro a oito refeições com salmão selvagem e uma única refeição ao mês com salmão de cativeiro, o risco de desenvolver câncer será maior. O salmão de cativeiro(industrial) são diferentes da espécie original que perderam seu instinto predatório necessário para prover seu próprio alimento, espécie de cativeiro não consegue sobreviver com qualidade em seu habitat. A criação de salmão é difícil, são peixes ativos que precisam de espaço para se movimentar. Existem tentativas de de criação com alimentação orgânica, mas a maior parte dessa alimentação também não é o que o salmão comeria em seu ambiente natural. O fato é, se for comer salmão – prefira o selvagem.

Truta salmonada

Trutas não se alimentam de crustáceos, apresentando, naturalmente, carne de coloração branca. Porém, existem produtores que incluem astaxantina em suas rações, fazendo com que o peixe desenvolva essa tonalidade salmão (daí o nome truta salmonada) e aí temos o caso de fraude, e isso não é bom. O ideal seria a inclusão dessa informação no rótulo – “truta salmonada”.Omega 3 no Salmão? Sim e  temos também o Omega 6 – proveniente da sua alimentação que consiste em peixes misturados com soja e outros ingredientes, maioria dos quais o salmão não comeria normalmente, o selvagem come krill(crustáceo minúsculo) ele que dá o tom de rosa no selvagem. Essa alimentação enriquecida do nosso salmão, confere um aumento dos níveis de ácidos gordos (omega 6). O que acontece é que ingerimos omega 6 em diversos tipos de gordura vegetal ao longo do dia. Devemos, então, privilegiar espécies de peixe que nos deem omega 3 sem aumentarem excessivamente o nosso consumo de ácidos gordos, que têm um efeito próinflamatório negativo para uma série de doenças, como a artrite reumatoide. 

Os peixes selvagens – são nossa salvação? Não, porque os mais nobres(exemplo atum e bacalhau) estão entrando em extinção. E ainda temos o perigo da contaminação por mercúrio, pelo menos para quem come certos peixes com frequência.Porém, nem todos os peixes têm os mesmos níveis de contaminantes. Os que têm níveis mais elevados são os que estão no topo da cadeia alimentar, ou seja aqueles que se alimentaram de peixes e crustáceos que já tinham retido metilmercúrio, que graças à ação de bactérias, sobretudo em zonas alagáveis, o mercúrio é transformado nessa forma orgânica. Nessa versão, ele penetra nas algas, que até possuem um baixo teor de mercúrio, mas os peixes herbívoros (que se alimentam dessas plantas) têm um pouco mais. E os predadores (que comem os herbívoros) acabam com um índice bem maior, esse é o ciclo.No topo estão peixes como o peixe-espada preto, os tubarões, as raias, o espadarte e, “em menor grau”, o atum. Reafirmando, nem todo peixe é contaminado, ok? Se ele vive numa região livre de mercúrio, o que é comum, não tem problema. Não podemos esquecer que consumimos outros produtos oriundos desse combustível fóssil, incluindo cosméticos (principalmente maquiagem), medicamentos (aspirina e pomadas) e até chicletes. 

“A publicação, organizada pela universidade Unimonte, de Santos, classifica as espécies de peixe em categorias de consumo. O projeto Pescador Amigo,  reúne listas e pesquisas sobre espécies em risco de extinção.Há peixes que não se deve consumir absolutamente – vendê-los é crime ambiental (e, ainda assim, é possível que você depare com algum deles num mercado qualquer); há os que se deve evitar, pois há sério risco de extinção da espécie; aqueles que se deve comer com moderação; e os que se pode comer à vontade.A publicação, lançada no Brasil pela primeira vez em 2008, está sendo atualizada e receberá o provável título – GUIA DE CONSUMO RESPONSÁVEL DE PESCADOS O princípio que norteia o Guia, inspirado em uma publicação dos Estados Unidos feita pelo Aquário de Monterey, na Califórnia, é o de que a manutenção de uma cadeia de peixes de qualidade que não resulte no esgotamento dos estoques pesqueiros no futuro passa pela transformação da demanda. Como já é frequente nos Estados Unidos e na Europa, o consumidor começa a querer saber de onde veio o que ele está comendo. E a exigir qualidade e variedade.” Fonte – Paladar Estadão Abril 2014 

 Diversificar o consumo de pescado e educar o paladar é o caminho 

Guia de Consumo Responsável de Pescados
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